segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Vim, li e morri!

Sim, nosso jornalismo é uma ficção...

Dá até pra visualizar a Suiça toda, boquiaberta com tamanha coragem e integridade, né?
Mais ou menos quando neva por aqui, e os jornais noticiam que o mundo ficou impressionado com a “nossa” neve...

Claro, é só uma questão de plano. 
Uma vez em prática, estaremos amando Temer loucamente... |sqn|

E nós precisamos saber de todos os detalhes, né?

Assim como o Universo, a cara de pau não tem limites
(e queria entender qual é a da imagem).

Gente, o Papa é pai!!!!

E a imprensa admite isso como algo racional, natural.

Obrigada, Gazeta do Povo, o grande jornal do Paraná.
Chupa, resto do mundo! É nóis!

O que viria a ser um “encontro de explosivos”?
Quando o Tony Soprano encontra a Viúva Porcina?

Dá pra escolher?

Moçada, agora, é cada um por si!


domingo, 18 de setembro de 2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

domingo, 4 de setembro de 2016

Jornalismo nos últimos dias

Em reportagens sobre manifestações populares, as regras são: não dê destaque. Esqueça o manchetão negritado e em caixa alta das notas sobre cortejos verde-amarelos, com panelas a bater e viventes pedindo a volta dos militares. Não tendo destaque, ninguém fica sabendo sobre o fato, não é mesmo? Além do mais, noticiar é fazer publicidade, e essa, só com valor fechado com antecedência.

Nas fotênhas, escolher os closes, dá a impressão de menas gente. E claro, close em vivente jogando pedra. Se for preciso, replica-se a mesma foto em vários ângulos, várias exposições. Dá a impressão de momentos diferentes, de mais “baderneiros”.

Não publicar números. Não dar destaque ao vivo. Botar resumo posterior, destacar vitrine de banco quebrada, abusar de palavras como “vandalismo“, “quebra-quebra” e “violência”. Ao se referir à ação do Choque, escolher entre “conter o confronto”, “se defender de black-blocs” e “restabelecer a ordem”. A utilização do futuro do pretérito é obrigatória nesses casos.

Ficar de plantão para o caso de famosos se separarem, publicarem algo polêmico; canonizações, criancinhas doentes e animais fieis também entram na lista, assim como a eleição de “musas” de qualquer coisa. Mostrar peito e bunda e apostar na parada geral para comentá-los.

Afinal, se a gente não publica um fato, ele deixa de existir. Né? 

NÉ?!!

 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Na esparrela da história

Minha amiga Val deu com os costados* por aqui dia desses. Entre todas as lembranças do tempo em que o planeta Terra era tudo mato, a sensação comum de incredulidade com algumas coisas: seguidores de Bolso, admiradores de Trump, cheer leaders de Le Pen, verde-amarelos em legiões paneleiras, saudosistas de torturadores nacionais e por aí vai a lista dos horrores. 

E aí, também lembramos de um texto estudado na facul, chamado Teses sobre a História, do alemão Walter Benjamin. Foi escrito em 1940, pouco antes do suicídio do filósofo, em sua fuga da Gestapo. Numa dessas teses, reflete sobre a ideia de que o tempo histórico seja uma linha homogênea, rumo ao progresso, ao aperfeiçoamento, à civilização perfeita, ao fim da barbárie. Abstração que está muito mais para a crença que para a constatação empírica. Benjamin refletia sobre essas coisas ao constatar a postura da esquerda tradicional alemã face a ascensão nazista – não iria muito longe, certo? Não seria possível que tudo entornasse em pesadelo; então, façamos acordos, negociemos. Afinal, somos ou não “civilizados”, guiados pela ideia de “progresso social” e “avanços”? 

Não, não somos.

No final das contas, eu e Val também constatamos algo: que não paramos de cair na mesma esparrela da década de 1940, aquela da qual aprendemos a desconfiar e duvidar nas aulas de teoria da história. Abstração que está muito mais para a crença que para a constatação empírica... Sempre bom lembrar. 

 * repertório Valdeliziano, que também conta com botar reparo, ôrra meu, embicar o carro, mais burra que a Scarlett O'Hara.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Da série Palpites ridículos: a escola


O Estadão tentando discutir e informar a respeito de supostos “projetos educacionais”, como o tal escola sem partido. Mas a partir de referenciais que domina – a escola do Harry Potter, por exemplo...
 Pensando bem, é tudo tão ruim, que acaba sendo coerente...


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Botânica



Lacerdismo. Grandiloquência. Moralismo. Ocultações. Recalques. Cafonices. Ignorância. Mesquinharia. Ruindade.

Qualquer coisa que cair neste terreno vai brotar torta, se passar da semente.



quinta-feira, 7 de julho de 2016

Questões diplomáticas


A “Semana do Presidente” voltou!

No final dos anos 70, quando Sílvio Santos passou a capitanear o próprio canal de televisão, ia ao ar a tal da Semana do Presidente, domingos à noite. Com narração do Lombardi, a sombra falante, o programa era curto e dava conta da agenda do general Figueiredo (depois dos civis, até os anos 90). O pavilhão nacional tremulava na ponta do mastro de cimento em Brasília, e víamos “João Baptista”, terno cinza brilhoso, apertando a mão da cambada ministerial, empresarial e religiosa. Muitos flashes, imagens cortadas, lá ia o presidente, de lá para cá, cortando fitas, inaugurando, cumprimentando, assinando, acenando... Closes em canetas, bandeiras hasteadas, esquadrilha da fumaça, desfiles fardados, dia cívicos, como o Dia da Árvore. Era curtinho, era cívico, era tecnocrata. Trilha sonora com versão de sucessos disco em arranjos tiozão no domingo. Ia bem com compota de figo.



Lágrimas saudosistas rolam pesadas pelas bochechas reaças... Mas há uma luz no céu de azul-anil da pátria varonil! Sim! Quem sabe voltem às “boas coisas” da TV de concessão nacional! A começar pela Semana do Presidente! Para o primeiro programa, a sugestão é a rega da árvore sob chuva. Imagem digna, condensa a política atual do país. Vai bem com compota de figo.






P.S.: preparem o videocassete, sinto que Amaral Netto, o Repórter está próximo. Amoral Nato. Já posso ouvir o tema de abertura, de John Barry, retirado de um James Bond... 














quarta-feira, 29 de junho de 2016

Você não é conservador, é só um babaca a mais

Tenho lido que os conservadores estão saindo do armário. E aí, várias coisas. 

Conservadores não saem do armário, porque nunca entraram, certo? Meio que estão nem aí pra grita geral midiática e pro debate além de suas próprias paragens e referências. Conservadores não são a mesma coisa que o(a) reacinha que dá plantão na Internet, repetindo a meia dúzia de frases de blogs de periódicos vergonha-alheia como Veja, que decorou como se fossem iluminações. 

Eu cá não sou conservadora, nunca me identifiquei com suas posturas e escolhas, mas já tive debates sensacionais com quem era, e aprendi muito. Tratava-se de um grande intelectual lá da minha terra, um dos organizadores do setor de ciências humanas da universidade federal na qual fiz graduação e mestrado; foi professor de todos os meus melhores professores. Tinha sido interventor por um período, após o Estado Novo, em 1946. Se dedicou a ensino e pesquisa – quando digo se dedicou, quer dizer de verdade, com cuntiúdo e sustância. Era apaixonado pela teoria da história. E eu o conheci por conta dos caminhos cheios de curvas que a gente toma pela vida afora. Não em 1946, tá?!

Um dos meus grandes professores, Francisco Paz, me chamou um dia pra um tête-à-tête. Precisavam de alguém que lesse para o professor Brasil Pinheiro Machado, pois, já beirando os 90 anos de idade, estava com a visão precária. Apenas o nome do professor Brasil já é coisa que impõe respeito para quem o conheceu, mesmo que não pessoalmente, mas por seus textos, por exemplo. Fui. Passei por uma “leitura teste”, na casa dele, num dia muito frio de agosto. Me lembro do sol, da manta xadrez do professor Brasil sobre suas pernas e do meu medo de nem conseguir falar, que dirá ler para ele. Me estendeu um texto de Hegel e disse que eu podia começar. Com as duas mãos apoiadas sobre a bengala, ele ouvia, os olhos perdidos em algum ponto a sua frente, mas que davam a impressão de estar me encarando. E lá ia eu, lendo, parando quando ele pedia, ou quando ele queria discutir um ponto específico. Discutir em termos, né? Porque ele dava uma aula a cada parada. Perguntava o que eu achava. Esclarecia. Sondava minhas referências de leitura. Ao fim do texto, perguntou sobre o mestrado que eu fazia, queria detalhes do projeto, das referências teóricas, da pesquisa, do que dizia meu orientador. Por fim, ficou combinado que eu voltaria. Uma vez por semana. Que com o tempo viraram duas. Depois, três. Ele falava sobre política como grande historiador que foi. Nunca falou abertamente de suas opções, mas concluí que não se tratava de nenhum revolucionário de outros tempos... Li para ele até que a doença o debilitasse muito, e as leituras não fossem mais possíveis. A última vez em que o vi, justificou a interrupção dizendo que já havia resolvido as questões teóricas que tinha em mente. Ele morreu uma semana depois.

Assim, quando penso em conservadores, penso no professor Brasil, com seus olhos que quase não viam mais, embora ele soubesse exatamente onde estava cada livro. Apontava com a bengala: “deve estar na prateleira de cima, à esquerda. Veja se você acha.” Claro que estava exatamente lá. Como também estavam suas lembranças e referências, aparecendo na medida em que discutíamos. Tudo isso acabou marcando as minhas próprias referências, me dando a certeza de que, em termos de conhecimento, estou sempre muitos passos atrás. Já saio devendo...

Continuei não conservadora pela vida, mas com a certeza de que um debate inteligente faz ultrapassar a mesquinhez mental rapidinho. E feliz quando há ideias diferentes em jogo, mas, claro, num panorama lúcido, com um conhecimento capaz de relacionar de forma coerente as coisas aparentemente mais díspares no mundo.

Então, conservadorismo, na minha cabeça, é assim. Não o desfiar de chavões tolos e conclusões paleolíticas. Você pensa diferente? Ótimo: você pensa! Mas o que se vê por aí é um punhado de recalques enfeitadinhos, tentando passar por reflexões profundas acerca de um mundo que não estaria à altura de tanta riqueza intelectual e tanto conhecimento político – tudo isso, bem entendido, despejado num óleo já pra lá de requentado, no qual boiam colunas e sites de uma pobreza patética e uma violência de ideias primária (e assustadora).  

Na bôua, santa, aplaudir Bolsonaro não é ser conservador. Isso é ser o(a) reacinha da vez, apaixonado(a) pelas próprias linhas, que só repetem parcas e porcas ideias como se fossem voos inspirados pelo espírito da renascença. Sério, isso não é a definição de conservadorismo. Você só é babaca, do tipo revoltadinho(a), temeroso(a) de que tomem suas preciosidades – aquelas que ninguém quer. Você que tem uma ideia fixa e não deixa que nenhum debate, aula, texto ou o que for se desenvolvam, é só alguém sem a menor educação – pois não sei se avisaram, mas falta de educação e grossura não são apanágio do conservadorismo, beleza? São apenas provas da sua tosquice. 

Quédizê, não tente se alinhar ao conservadorismo, puro e duro; você já está alinhado(a) – mesmo que não saiba – com a turba enfurecida que caça e mata suspeitos de bruxaria no meio da rua, no século XXI. Sua ação se dá em outros espaços, mas seu cérebro e suas capacidades são exatamente as mesmas.

Bonnus track vergonha alheia: a volta dos adesivos “o sul é o meu país”, orgulhosamente colados nas traseiras dos carros. Sério: vergonha, mas muita vergonha alheia.






    

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Personal Jesus na Bretanha: escolha o seu

A Bretanha (la Bretagne) é uma região no oeste da França, na beira do Atlântico. É linda, mas tem graaandes períodos de céu cinza, chuvas passageiras, verão com 16°. Tem cidra de verdade, que é um álcool de maçã, casas de pedra escura, vaquinhas que parecem publicidade do Milka, menires e um catolicismo que resiste. 

Não raro, se vê um Jesus crucificado num cruzamento de ruelas no interior da região. Neste momento, estou pertinho deste:

Meda. Logo ao lado, um lugar chamado Le loup pendu (o lobo enforcado). Mas a região é linda. A gente releva as tradições, pois as atualizações valem a pena. Por exemplo, na mesma Bretanha, alguns quilômetros adiante (Vannes):




quarta-feira, 8 de junho de 2016

Juízes na “república de Curitiba” - uma balança capenga

Desde que Lula citou a infeliz expressão “república de Curitiba”, os ânimos bairristas se assanharam mais do que em dia de festival folclórico, quando se mostra que somos (nós, curitibanos) originários da Europa... A-hã. E aí, mistura-se aquela vontade de protagonizar a lemas evocando uma superioridade moral e maior capacidade de trabalho. Boa coisa não dá. Mas não dá meeeeesmo.

Tirando o fato de que o juiz Moro aí do desenhinho ficou a cara de um profe meu da facul, sobra a eterna busca por uma identidade local, que teria um caráter diferente daquele do restante do país. Afinal, só nós trabalhamos, só nós temos horror a corrupção, só nós fomos feitos de outro barro. Logo, da república de Curitiba, só receberíamos lisura e a justiça mais afiada, aquela que jamais se curva à malemolência da corrupção e do compadrio – “coisas que só ocorrem de São Paulo para cima” (frase que eu cresci ouvindo). É óbvio-pululante que nem todo mundo pensa assim naquelas plagas, mas é fato que os adeptos desse bairrismo são barulhentos e espalhafatosos.  

Porém, há vistas grossas de ufanistas quando o assunto não convém. Por exemplo, quando se refere a atos do mais puro coronelismo corporativo, vindos das idolatradas instâncias jurídicas da terra dos pinheirais:

O jornal em questão não é periódico disquerda, longe disso. Tradicionalíssimos, seus editoriais beiram o reacionarismo. Mas aí não vale, né? Fingimos que não vemos o enrosco e quem sabe ele deixa de existir...

E falando nisso, curso de extensão aí, moçada! Será que ensinam o passo-a-passo?



Grandes herois nacionais: o “japonês da Federal”


Só queria saber de que vai se fantasiar no próximo carnaval a moçada-batedora-de-panela, educação-moral-e-cívica, revoltadões-on-line...