sábado, 25 de maio de 2024

Dedo em riste

A arte de denunciar a injustiça social, as tragédias, os horrores da guerra e o imperialismo, apontando alienações alheias, ideias tortas – de acordo com a própria régua de virtudes e enquanto mora na Europa, percorre capitais e exposições, mastiga menus internacionais e aproveita o inverno para esticadas em mares do sul.

 

 

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Escolas cívico-militares: autoexplicativas

 

Para variar, o que ainda prevalece neste debate são as parcas&porcas ideias de criaturas que sequer puseram o pé numa escola pública, da rapinagem empresarial, do analfabetismo funcional reaça e de qualquer vivente que consiga articular meia dúzia de palavras. Todo mundo tem discurso pronto para papagaiar sobre a escola pública e o ensino – de tá faltando religião a tem que cantar o hino nacional de 2 em 2h, frisando a necessidade de trabalho a partir dos 13, de ordem unida, programas de ensino medíocres e aquela pedagogia de delegacia criminosa. Professoras/es falando a respeito? Humpf! Doutrinação! Onde já se viu especialista falando sobre a própria área de atuação? Aliás, é só falar em profs que a dermatite de contato anticomunista já se manifesta.

E claro, o indefectível porque no meu tempo nunca perde a força.

 

[Campanha do Movimento Brasileiro de Alfabetização – Mobral, 1970] 
 
☛ Sobre o tema: Militarização das escolas públicas no Brasil – dossiê da Revista Retratos da Escola v.17, n. 37

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Chaleirando o empresariado-bandido

A gente sabe que ‘neutralidade’ é coisa de pH, de sabão e olha lá. Mas vez-em-quando uma objetividade básica já daria bons resultado. Só que o povo erra a mão tão feio que deixa exposta uma adulação marota, certa deferência com toques de respeito, ou seja, a popular pagação de pau. Não acontece só com familiares, vizinhança e colegas reaças, mas vinga com gosto nas melhores famílias proprietárias de meios de comunicação (quem diria, não é mesmo?). 

Uma dessas pagações nacionais mais entusiastas é aquela dirigida ao ‘empresariado’ – conceito que abarca muita coisa e funciona praticamente como atestado de caráter. Por aqui, criatura associada ao ramo empresarial merece, automaticamente, loas e inclinações de espinha dorsal (os MEIs terão um episódio próprio, com apresentação de coachs e shows de subcelebridades).

Daí que não tem muita surpresa quando lemos títulos assim, nesses termos:

 
E mesmo quando puxam a capivara do assassino, paira aquele aplauso respeitoso, visível na escolha das informações divulgadas:


Serião isso? “Aieeem, mas tem que listar todas as características” – dirá quem vê defesa de direitos-humanos-comunistas-feministas-gayzistas quando se apresentam as credenciais de líderes comunitárias, trabalhadores, pessoas negras, políticas de partidos de esquerda ou adolescentes estudantes vítimas da polícia; aí sobra certeza de que foi bala perdida, que é necessário ver os dois lados, que não se enalteça bandidagem, pois periferia é criminosa e por aí vai o chorume nacional.

Mas não bastasse o deslumbre por bairro nobre e empresário dono de laboratório, o desenvolvimento da matéria em questão praticamente entrega um merchandising:



Melhor que isso, só as informações indispensáveis a respeito de carros de luxo circulando na temporada em Florianópolis ou de enfeites natalinos em mansão de boleiro presunçoso e endinheirado. Pulitzer aqui, por favor!
 
 
 FONTE: g1
 

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Dotôras & dotôres do Brasil

 Garantindo com honras a preservação do espírito colonial


E ao fundo, em coro, mãos para cima, classe média teima: “mas eles/elas estudaram muito para chegar onde chegaram...”