quinta-feira, 11 de junho de 2015

Pizzolato é nosso! Tá?


A gente já avisa, caso algum brasileiro de outro estado queira tirar uma casquinha do nosso famoso. Tá? É corrupto? É. Mas o importante é que estão falando dele, inclusive na imprensa estrangeira. Vai que um pouco dessa fama internacional magia respinga na gente, né? Tá valendo qualquer coisa pra buscar protagonismos, moçada!

  

Christopher Lee (1922-2015)




quarta-feira, 10 de junho de 2015

“Mas precisava ser tão vulgar?”

Dia desses, na facul, um cartaz – papel bobina desenrolado de um andar a outro. Pintada em várias cores berrantes, a frase “Eu não me visto para provocar a sua libido. O mundo não gira em torno do seu pau.”

Fotografado,  o cartaz apareceu nas tais redes sociais do arraial. À distância,  percebi o furor que causou. Ou melhor: a indignação. De pessoas lidas-estudadas, declaradas anti-machismo e etc. Ressaltavam a vulgaridade. Frisaram ser desnecessário algo assim, nesses termos. Alguns “analistas” sugeriram que “algo” deveria estar faltando a quem tornou público o pensamento.




E aí,  fiquei boquiaberta, me caíram os butiá dos bolso, como diz um amigo; no melhor estilo assaz e deveras. Pois aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar, o padrão cueca de análise de mundo parece sobreviver sempre, e pior, nos meios mais improváveis. O da academia, por exemplo, onde ideias deveriam se apresentar, incomodar, fazer discutir. E o tal padrão parte igualmente de homens e mulheres.

Não vi comentários sobre o tema do cartaz, apenas sobre seus termos. Implicitamente, uma condescendência de olhos revirados, a dizer tá, a gente até concorda, mas precisava dizer assim?. Não acompanhei outros “debates” a respeito pra saber de outras reações. Mas pude constatar que o mais-do-mesmo tá na área, a repetir chavões do século passado, mesmo nas humanas e sociais (tá, inteligência não é apanágio das ciências humanas, mas poderia ser um bom objetivo a ser perseguido, né?).




Seja como for, nunca vi moçada se manifestando tanto quando ouve que “fulaninha é uma gostosa, eu comeria/pegava”, sentenciado tranquilamente, abertamente, entre pares, informalmente, “de boa”, numas de descontração. Ouço risos sinceros e engraçadinhos quando alguém diz que o que falta praquélali é “um desse tamanho”, frase que se faz acompanhar de um gesto que, provavelmente, o Brasil Colônia viu nascer. Dizer que falta a mesma coisa praqueleali seria nada a ver, não tem a mesma graça, não confundamos as coisas. A não ser que se queira “xingar” alguém de viado, aí vale, né?

Quédizê, a questão aqui não é que todos adotem puritanismos semânticos, nem que haja  castrações de machos em rituais “feminazis” (tem quem jure que isso existe). Apenas fazer perceber como ainda se reproduzem ideias que um dia definiram o que é vulgar em uma boca feminina (insira aqui seu trocadilho ou piada não vulgar... HAHAHAHAHA!), aquilo que não deveria  ser enunciado, ao menos, não desse jeito, né?. Tá.

E claro, moralistas são os outros. Machistas e pudicos idem. Fundamentalistas, igualmente.




É a tal história: debata a ideia, pessoa letrada e engajada. Não pare no que o seu julgamento considera vulgar. Discorde do que for, mas não use os mesmos padrões que considera abusivos ou ultrapassados para classificar algo. Por fim, o que exatamente está incomodando?

Bonus track Caso Verdade: no século passado, meu pai se convenceu de que eu não pararia de fumar. Fumante ele mesmo, quando se deu conta de que eu continuaria pagando pelos meus cigarros a hora em que quisesse, disse, com a “gravidade” que o tema exigia (!): “Só vou te pedir uma coisa. Não fume na rua. Ainda mais se estiver sozinha. Não pega bem.”

Porque coerência é fundamental, né?... Seja como for, tem dias em que tenho a sensação de que meu pai tem uns amigos espalhados em tudo o que é canto. Qualquer dia, tomam uma cerveja juntos. Juntos,  porque não pega bem falar de certas coisas quando mulheres estão presentes. Oras.








domingo, 7 de junho de 2015

A série da família brasileira

Vendo Magnífica 70 e pensando que Nelson Rodrigues foi praticamente um Sérgio Buarque de Holanda quando o assunto era a marcha da família brasileira pelos valores morais. 

Quero dizer, assim como Sérgio Buarque escreveu o fantástico Raízes do Brasil, ponto de parada obrigatória para entender nossas origens sociais, Nelson Rodrigues tornou visíveis as esquizofrenias familiares tão comuns nessas paragens – em maior ou menor intensidade. 

Moralismo, apadrinhamentos, violência, perturbações, noção de família e seus valores próprios como algo que invade espaços públicos, e a lista vai longe. Mesmo não tendo saído da Remington do dramaturgo, a história toda está carregadíssima de seus indícios.  

Além do que, ver Paulo César Peréio todo trabalhado na farda e no coturno é impagável. Generalíssimo, porra! E há esperança pra quem ainda associa Marcos Winter ao Juventino-Pantanal-Juma-Marruá: ele está ótimo como funcionário da Censura Federal. E o resto é pra ser ver.

Vejam aê! Bem bacana.




sábado, 6 de junho de 2015

Enquanto “pessoas de bem” combatem “ditadura gay”...

... as do mal saqueiam a democracia.
Adivinhem qual das proposições do título é falsa..
Adivinhem por que “pessoas de bem” e povo do mal não são grupos distintos...



Mas não interessa, né? Importante mesmo é berrar contra a corrupção e a dissolução moral exigindo o retrocesso do mundo – e, claro, que arrumem cargos vitalícios à minha prole medíocre. 

Bora atropelar travesti e quebrar lâmpada na cara de gay para limpar o mundo! Já eu, fico sacando a bunda e a moral de quem passa na rua enquanto folheio a bíblia e exijo que você pague dízimo também...  
Gloriadeus!


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Enquanto há professores das redes públicas estaduais e municipais desse mundão passando um perrengue do inferno por conta de salários indecentes e condições de trabalho vergonhosas, há profes universitários federais, do tipo revolta-ostentação que queimam a cara da categoria. Grave. Feio. Indelével. 


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Hoje acordei meio 1992...



Annie Lennox – Why |1992|


... e com aquela saudade de sempre...



sexta-feira, 29 de maio de 2015

“Bateram no Richard Dawkins!” ...

... foi o que eu pensei assim que vi esta foto no Twitter, com o título Letter from Brazil...


Mea culpa, assumo o preconceito babaca que dominou meu juízo, apenas por ter lido uma frase, visto uma imagem e deduzido um fato em questão de segundos. Do tipo: com a quantidade de moralista solto por aí; com a violência que a direitona-miojão tem empregado em bando; com a polícia nacional hidrófoba e enfurecida, pronta a descer o sarrafo na população em qualquer tempo – enfim, com essa nata intelectual à solta pelo país, argumentando no soco, Dawkins só pode ter sido a vítima da vez. Diz aê se não dá pra imaginar bolsonarianos, felicianianos & fetichistas-da-farda se jogando em cima de ateus pra mostrar que deus é amor e que aqui não tem dessas paradas ateias-viadas-travestis-comunistas não!

Feio, né? Pôxa... Alguns reacinhas até que têm educação... Até que conseguem ler um texto inteiro, possuem rudimentos de raciocínio, entendem uma piada e mesmo consideram que a liberdade individual possa estar acima das superstições dos preceitos que eles mais têm em conta. Mas mesmo tendo tudo isso em mente, não pude evitar. Que feio, Trator.

Ah, sim! Dawkins não apanhou da Liga Cívica Cristã nacional. Ele apenas tropeçou e caiu em cima dos óculos quando ia pegar um avião em São Paulo.



Um arraial chamado Universidade


Matéria Universidades ou fábricas?(recorte abaixo) falando a respeito de coisas sobre as quais eu penso há muuuuuito tempo. Por que eu sou gênio analítico? Claro que não, apenas por que disso, sabe muito bem quem circulava e circula pelo tal do “meio acadêmico”, então e agora. E me emputecem, então e agora.


Faz décadas que tentam me convencer de que não há muitas maneiras de estar na Universidade, de que se você “quiser sobreviver”, tem que ”jogar o jogo” e por aí vamos. 
E hoje, o que eu mais escuto é: o grande interesse de você estar na universidade e ser professor é a possibilidade de se dedicar a sua pesquisa e ser pago pra isso. A chatice é ter que dar aula, mas faz parte... 




quinta-feira, 21 de maio de 2015

Baderneiros! Lei de Segurança Nacional neles!



Afinal, querem um Estado comandado por militares? Vão pra Rússia, abraçar o Putin! Não queiram obrigar pessoas-de-bem (hehehe), defensoras da democracia, da diversidade e do livre pensar a sustentar partidários da farda, da violência e da corrupção*. Não é pra isso que eu pago impostos! Oras...



* Não que não os haja atualmente em cargos de decisão...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Pesquisas espaciais







Parcerias público-privadas: Palácio Iguaçu & cérebros moloides

Desde a primeira vez em que eu entrei numa sala de aula (nos idos do século XX), o que mais escutava é que no Brasil não há educação; em países de primeiro mundo a escola é sensacional; no meu tempo, ensino público tinha qualidade e blablablá. Frases feitas, prontas a saírem da boca de qualquer criatura que articule duas sílabas, sem maiores reflexões sobre o que significam. Continuo ouvindo-as.

Mas na hora H, quando está em questão o ensino público nacional, quando há pressão de professores por melhores condições de trabalho (que incluem escolas bem equipadas, por exemplo), o que se ouve mesmo é aquele eterno eco reaça-sem-vergonha, que só faz se propagar. E tomar o espaço do debate, corroborando políticas públicas lixo.

Quédizê, a reflexão política sobre o país se resume a bater panela para exigir que a própria situação pessoal melhore. E agora. Caso contrário, é uma ver-go-nha (entonação Bóris Casoy). Quando há quem realmente batalhe para que as coisas se modifiquem, quem não aceita o que é empurrado goela abaixo, aí não! Aí, já é baderna. Caso de polícia. Reclame feito uma gralha, diga muita merda: tudo bem. Mas tomar atitudes verdadeiras e ocupar os lugares de decisões políticas (por direito), não, de jeito nenhum – coisa de black-bloc-ateu-feminista-gay-“esquerdopata”... que mais?

Sobre a “Batalha do Centro Cívico” (em que a polícia militar do Paraná desceu o sarrafo nos professores, por ordem do governador), eu estava na contagem regressiva da depressão, só esperando o vento do senso-comum voltar a soprar. E não deu outra. A não ser que o Palácio Iguaçu esteja remunerando comentários em sites de notícias... Afinal, nessas alturas, teoria da conspiração é a melhor explicação para a rasteirice mental que transborda. Porque imaginar que tem vivente que realmente acredita nisso aí embaixo é de deixar assaz, deveras e no mais profundo desespero, né?


Por outro lado, a explicação de que a educação é dos grandes problemas do país não é falsa. Só por essa meia dúzia de comentários percebe-se os prejuízos que um sistema cognitivo não desenvolvido adequadamente pode acarretar, né? Pois cérebros não exigidos acabam parando por aí...

|LAERTE|



sábado, 16 de maio de 2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015